Juliana Brizola e Luciano Zucco lideram a corrida pelo Piratini, enquanto sete nomes já estão consolidados na disputa estadual.
A cerca de três meses do pleito marcado para 4 de outubro, o Rio Grande do Sul já tem o quadro de pré-candidatos praticamente definido para a disputa pelo governo do Estado e pelas duas vagas ao Senado. O cenário aponta para uma eleição polarizada no Palácio Piratini, com nomes que representam campos políticos bem distintos e uma renovação natural no Senado, já que os dois atuais senadores gaúchos decidiram não buscar a reeleição. Entender quem são esses candidatos, e o que está em jogo para cada um deles, ajuda o eleitor gaúcho a acompanhar com mais clareza os próximos meses de campanha.
Uma corrida polarizada pelo Palácio Piratini
Os dois nomes que mais aparecem à frente nas pesquisas de intenção de voto são a ex-deputada estadual Juliana Brizola, do PDT, e o deputado federal Luciano Zucco, do PL. Brizola tem o apoio do presidente Lula e do PT, que optou por não lançar candidatura própria ao governo gaúcho, repetindo uma estratégia parecida com a adotada pela legenda em outros estados da Região Sul. Zucco, por sua vez, é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e teve a pré-candidatura oficializada em abril, em um evento que reuniu outras lideranças de direita, incluindo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
A disputa entre os dois nomes já rendeu diferentes pesquisas ao longo do primeiro semestre de 2026, com variações relevantes de um levantamento para outro. Um dos institutos que acompanham o cenário no Estado apontou, em julho, vantagem de Zucco em todos os cenários simulados de segundo turno, enquanto pesquisas anteriores, realizadas ainda em abril, mostravam a disputa mais equilibrada, dentro da margem de erro. Esse tipo de oscilação é comum em eleições que ainda estão a alguns meses da votação, e tende a se estabilizar à medida que as campanhas ganham força nas próximas semanas.
O papel do atual governo na sucessão de Eduardo Leite
O atual governador, Eduardo Leite, do PSD, não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo, já que a legislação eleitoral brasileira limita a reeleição a um único período subsequente. Isso fez com que Leite direcionasse boa parte de sua articulação política para viabilizar a candidatura de seu vice, Gabriel Souza, do MDB, como forma de dar continuidade ao projeto político do atual governo. Souza representa, assim, o grupo que hoje ocupa o Piratini e chega à disputa com a estrutura de máquina que costuma acompanhar candidaturas de situação.
Essa movimentação ocorre em um momento particular para Leite, que também disputou espaço no cenário nacional e, segundo veículos que acompanham a articulação partidária, não foi a escolha do PSD para uma candidatura à Presidência da República. Com isso, o atual governador concentrou esforços na sucessão estadual, buscando transferir capital político acumulado ao longo da gestão para o nome de seu vice, em uma estratégia que será testada nas urnas em outubro.
Outros nomes que também estão na disputa
Além dos três principais postulantes, o Rio Grande do Sul deve ter ao menos mais quatro nomes concorrendo ao Palácio Piratini em 2026. O ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, do PSDB, também é pré-candidato ao governo do Estado, com Cláudio Diaz confirmado como companheiro de chapa na vice-governadoria. Completam o quadro os nomes de Rejane de Oliveira, do PSTU, Priscila Voigt, do UP, e César Pontes, do PCO, legendas que tradicionalmente disputam o pleito estadual com propostas voltadas a pautas de esquerda mais à margem do espectro majoritário.
Ainda que esses candidatos costumem registrar percentuais pequenos nas pesquisas de intenção de voto, sua presença cumpre um papel relevante no debate público, ao trazer para a campanha temas que nem sempre aparecem nas falas dos postulantes com maior competitividade eleitoral. A pluralidade de sete nomes disputando o mesmo cargo também reforça a diversidade partidária que caracteriza historicamente a política gaúcha, com legendas de perfis muito distintos representadas na cédula de outubro.
A disputa pelas duas vagas do Senado
Paralelamente à corrida pelo governo estadual, o Rio Grande do Sul também vai às urnas para escolher dois novos senadores, já que tanto Luis Carlos Heinze, do PP, quanto Paulo Paim, do PT, optaram por não concorrer à reeleição e anunciaram o encerramento de suas trajetórias no cargo. Essa dupla saída abre uma renovação relevante na bancada gaúcha no Senado, já que os dois nomes ocupavam as cadeiras havia vários mandatos consecutivos.
A ausência desses dois nomes tradicionais tende a reconfigurar alianças locais, já que candidatos a senador costumam compor chapa com os postulantes ao governo do Estado, em um arranjo que reforça o corpo a corpo eleitoral de ambos os lados da disputa. Até a consolidação definitiva das candidaturas ao Senado, o cenário ainda deve passar por ajustes, especialmente entre partidos que buscam equilibrar representatividade regional e afinidade ideológica com os nomes principais da disputa ao Piratini.
Com a eleição marcada para 4 de outubro e a possibilidade de segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato atinja maioria absoluta dos votos válidos, os próximos meses devem ser decisivos para consolidar alianças, definir vices em chapas ainda incompletas e apresentar propostas de governo ao eleitorado gaúcho. Para o eleitor de Porto Alegre e do interior do Estado, acompanhar essas movimentações desde já ajuda a entender o contexto por trás das campanhas que vão ganhar as ruas e as redes sociais ao longo do segundo semestre.
Fontes consultadas: https://www.nsctotal.com.br/noticias/eleicoes-2026-como-esta-o-cenario-para-a-disputa-pelo-governo-do-rio-grande-do-sul https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/quem-sao-os-pre-candidatos-ao-governo-do-rio-grande-do-sul-rs-eleicoes-2026-julho https://www.jornaldocomercio.com/politica/2026/07/1255179-a-tres-meses-da-eleicao-rs-tem-sete-pre-candidatos-a-governador.html

