Dieta anti-inflamatória: O que comer para o seu cérebro funcionar melhor todos os dias? Saiba com Alexandre Costa Pedrosa

Diego Velázquez
By Diego Velázquez 6 Min Read
Alexandre Costa Pedrosa

A relação entre o que colocamos no prato e o funcionamento do nosso cérebro é muito mais direta do que a maioria das pessoas imagina. Segundo o empresário Alexandre Costa Pedrosa, durante anos, a nutrição foi tratada quase exclusivamente como uma questão estética ou cardiovascular, mas a ciência das últimas duas décadas tem demonstrado com crescente solidez que a alimentação influencia diretamente a cognição, o humor, a memória e a capacidade de concentração.

O que a inflamação crônica tem a ver com o funcionamento do seu cérebro?

Conforme Alexandre Costa Pedrosa, a inflamação é, em sua origem, um mecanismo de defesa do organismo. Quando o corpo identifica uma ameaça, como uma infecção ou uma lesão, aciona uma resposta inflamatória para combatê-la e iniciar o processo de reparação. O problema começa quando essa resposta se torna crônica e de baixo grau, ou seja, quando o sistema imunológico permanece em estado de alerta constante sem uma ameaça real e imediata para combater. Esse estado inflamatório persistente danifica tecidos, incluindo o tecido cerebral, e interfere em processos neurológicos fundamentais.

No cérebro, a inflamação crônica afeta a produção e a regulação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, substâncias diretamente ligadas ao humor, à motivação e à concentração. Estudos recentes têm encontrado marcadores inflamatórios elevados em pessoas com depressão, TDAH e transtornos de ansiedade, o que sugere que tratar a inflamação pode ser parte essencial do tratamento dessas condições. A alimentação entra nesse contexto como um dos moduladores mais poderosos da inflamação sistêmica, capaz de tanto intensificá-la quanto revertê-la de forma significativa.

De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, os principais vilões alimentares nesse processo são os ultraprocessados ricos em açúcares refinados, gorduras trans e aditivos artificiais, os óleos vegetais refinados em excesso, o consumo exagerado de carboidratos simples e o álcool. Todos esses elementos estimulam vias inflamatórias no organismo e comprometem a integridade da barreira intestinal, o que está diretamente ligado ao funcionamento cerebral por meio do eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação bidirecional que a ciência tem explorado intensamente nos últimos anos.

Alexandre Costa Pedrosa
Alexandre Costa Pedrosa

Quais alimentos têm maior poder anti-inflamatório e por que eles funcionam?

Os alimentos com maior capacidade anti-inflamatória documentada são aqueles ricos em antioxidantes, ômega-3, polifenóis e fibras prebióticas. Os peixes de água fria e profunda, como salmão, sardinha e atum, são fontes privilegiadas de ácidos graxos ômega-3, especialmente EPA e DHA, que compõem a membrana das células cerebrais e exercem efeito diretamente inibitório sobre processos inflamatórios. Como destaca Alexandre Costa Pedrosa, o consumo regular desses peixes está associado a menor risco de depressão e declínio cognitivo em estudos populacionais de longo prazo.

As frutas e vegetais coloridos merecem destaque especial. Os pigmentos que dão cor a alimentos como mirtilo, beterraba, espinafre, couve, cenoura e pimentão são, em grande parte, compostos bioativos com forte ação antioxidante e anti-inflamatória. O resveratrol presente nas uvas escuras, a quercetina encontrada nas maçãs e cebolas, e os flavonoides do cacau são exemplos de substâncias que modulam a resposta inflamatória e promovem a saúde vascular cerebral. A diversidade no consumo de vegetais é, por si só, uma estratégia nutricional poderosa.

Como montar uma rotina alimentar anti-inflamatória de forma prática e sustentável?

A maior barreira para adotar uma alimentação anti-inflamatória não é o custo nem a complexidade das receitas, mas a mudança de hábitos em um contexto social e cultural onde os ultraprocessados são onipresentes e convenientes. Por isso, como elucida Alexandre Costa Pedrosa, a abordagem mais eficaz não é a de restrição radical, mas a de substituição progressiva e construção de novos hábitos baseados em escolhas reais e acessíveis.

Um ponto de partida prático é aumentar a proporção de alimentos in natura e minimamente processados em todas as refeições. Isso significa priorizar frutas, legumes, verduras, proteínas animais de qualidade, ovos, leguminosas e grãos integrais como base da alimentação cotidiana. Não é necessário eliminar completamente os industrializados de uma vez, mas criar a consciência de que cada refeição é uma oportunidade de incluir algo que nutre o cérebro.

Por fim, como ressalta Alexandre Costa Pedrosa, a hidratação adequada também faz parte desse contexto. A desidratação, mesmo em grau leve, compromete a concentração, a memória de trabalho e o humor. Além da água, chás como o verde e o de açafrão têm compostos com propriedades anti-inflamatórias relevantes. Por fim, vale considerar que a dieta anti-inflamatória funciona melhor quando combinada com sono de qualidade, atividade física regular e gestão do estresse, elementos que também modulam a inflamação sistêmica e que, juntos, criam condições para que o cérebro funcione no seu melhor nível possível.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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