Gabriel Souza pelo MDB, Luciano Zucco pelo PL, Juliana Brizola pelo PDT e Edegar Pretto pelo PT formam o campo de disputa pelo Palácio Piratini; entenda os cenários e as apostas de cada campo político
O ano de 2026 é ano eleitoral, e no Rio Grande do Sul a disputa pelo governo do estado já movimenta os bastidores da política muito antes do período oficial de campanha. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. A oficialização das candidaturas ocorre até 15 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Mas os principais nomes já estão posicionados e articulando alianças há meses.
Para o eleitor gaúcho, a dúvida mais comum neste momento é simples: quem são os candidatos, o que cada um representa e como está a corrida até agora? O cenário envolve nomes do centro, da esquerda e da direita, com perfis bem distintos e disputas internas que ainda estão sendo definidas dentro de cada campo político. Esta matéria apresenta os principais pré-candidatos e os elementos centrais do debate político gaúcho neste ciclo eleitoral.
Os Pré-Candidatos e Seus Campos Políticos
O atual vice-governador Gabriel Souza anunciou sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. Em evento realizado em Porto Alegre, foi apresentado como o nome do MDB para a disputa estadual. Souza é médico veterinário e já foi deputado estadual por dois mandatos. Como vice-governador em exercício, ele chega à disputa com visibilidade institucional e acesso à máquina de governo, vantagem que normalmente pesa na largada de uma campanha estadual. Exame
O deputado federal Luciano Zucco foi oficializado como candidato do PL ao governo do estado. Ele representa a aliança entre o PL e o Novo para a disputa no Rio Grande do Sul em 2026. Zucco é tenente-coronel da reserva do Exército. A candidatura do PL no RS reflete o esforço do partido de Jair Bolsonaro em manter presença forte nos estados do Sul, onde o bolsonarismo teve desempenho expressivo nas eleições de 2022. Exame
A secretária de Relações Internacionais do PDT e presidente da Ação da Mulher Trabalhista, Juliana Brizola, já anunciou sua pré-candidatura ao governo estadual em evento realizado em Porto Alegre. Brizola concorreu à Prefeitura de Porto Alegre em 2024, mas não passou para o segundo turno. Ela é neta do ex-governador Leonel Brizola, advogada e ex-deputada estadual. A candidatura de Brizola carrega o peso simbólico de um sobrenome histórico na política gaúcha e nacional, mas a legenda precisa ampliar alianças para competir com força. Exame
Edegar Pretto, deputado estadual e atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, já lançou sua pré-candidatura ao governo do estado pelo PT. Ele disputou o Palácio Piratini em 2022 e, embora não tenha vencido, o partido classificou sua votação como expressiva. Pretto representa o campo da esquerda mais ligado a movimentos sociais e ao agronegócio familiar, com base eleitoral forte no interior do estado. Exame
O Contexto Pós-Enchentes e Seu Peso na Disputa
Nenhuma eleição no Rio Grande do Sul de 2026 pode ser entendida sem considerar o pano de fundo das enchentes de 2024. O maior desastre climático da história do país aconteceu durante o governo de Eduardo Leite, e sua gestão da crise, tanto as decisões acertadas quanto os pontos criticados, está presente nas conversas sobre quem deve comandar o estado nos próximos quatro anos.
Para os candidatos do campo progressista, as enchentes reforçam a pauta de investimentos em infraestrutura, habitação popular e políticas de adaptação climática. Para os candidatos de centro e direita, a resposta à tragédia é apresentada como prova de capacidade de gestão em situações extremas, com ênfase nos volumes de recursos captados junto ao governo federal e na velocidade das obras emergenciais.
A reconstrução do estado, portanto, não é apenas um tema de campanha: é o terreno concreto onde cada candidato vai demonstrar, ou não, que entende os desafios reais do Rio Grande do Sul. Bairros destruídos, famílias ainda reassentadas e obras em andamento formam o cenário físico no qual os discursos eleitorais vão se medir com a realidade.
O Que Muda no Rio Grande do Sul Com Essa Eleição
As eleições estaduais de outubro de 2026 vão definir muito mais do que o nome do governador. O novo ocupante do Palácio Piratini vai assumir o comando de um estado ainda em reconstrução, com bilhões em obras em andamento e uma agenda complexa que inclui segurança pública, educação, saúde e planejamento urbano em municípios que ainda se recuperam das cheias.
Além dos 27 governadores, os brasileiros deverão votar também para eleger o próximo presidente e vice-presidente da República, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais ou distritais e 54 senadores. O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno acontecerá no dia 25 de outubro. Exame
Para o eleitor gaúcho, o voto em outubro vai moldar os próximos quatro anos de um estado que precisa de liderança firme, capacidade técnica de gestão e visão de longo prazo para sair da crise climática mais preparado do que entrou. Acompanhar as movimentações dos pré-candidatos, entender suas propostas e cobrar coerência entre o discurso e o histórico de cada um é, mais do que nunca, um exercício necessário de cidadania.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


