Qual é o órgão de governança corporativa que empresas de médio porte costumam adiar?

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
Fource Consultoria

A Fource Consultoria destaca que existe uma ideia bastante difundida de que comitê de auditoria é coisa de grande corporação, algo distante da realidade de uma empresa de médio porte. Essa percepção adia uma estrutura que, quando chega tarde, chega junto com um problema já instalado.

O comitê não é um luxo institucional. Ele é um grupo pequeno de pessoas encarregado de olhar para os controles da empresa com distância, sem estar preso à rotina que examina. Essa distância é o ponto. Quem toca a operação todo dia perde a capacidade de enxergar as próprias falhas, não por incompetência, mas por proximidade. O erro que se repete há meses deixa de ser visto como erro e vira parte da paisagem. É esse ponto cego que uma revisão de fora consegue iluminar.

O que um comitê de auditoria faz de fato?

A Fource alude que, na prática, o comitê revisa se os controles internos estão funcionando, acompanha os relatórios financeiros antes que virem decisão e questiona pontos que a gestão, imersa no dia a dia, deixa passar. Ele não substitui o trabalho da equipe. Ele confere o resultado desse trabalho com um olhar que não tem interesse em que tudo pareça bem. É essa independência que dá peso às perguntas que o comitê faz.

O que faz um comitê de auditoria? 

Ele supervisiona os controles internos e a qualidade das informações financeiras, fazendo perguntas que a operação, por estar dentro do processo, tende a não fazer. Seu produto principal é a pergunta certa no momento certo.

Em uma empresa de médio porte, esse papel costuma estar espalhado, um pouco no financeiro, um pouco na diretoria, um pouco no contador externo. Reunir essa função em um grupo dedicado é o que transforma uma vigilância difusa em uma revisão de verdade. A Fource Consultoria nota que empresas médias já possuem, de forma dispersa, quase todas as peças desse comitê; o que costuma faltar é reuni-las sob um mandato claro e um calendário mínimo de reuniões.

Governança corporativa não é questão de tamanho

O mito do porte confunde formalidade com essência. Uma empresa média não precisa reproduzir a estrutura de uma multinacional para colher o benefício central da governança corporativa: alguém com autoridade e distância suficientes para dizer que algo não está certo. O comitê pode ser enxuto, reunir-se com frequência modesta e ainda assim cumprir sua função, desde que tenha independência real.

Fource Consultoria
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O que não funciona é o comitê de fachada, composto apenas por pessoas ligadas à gestão, que aprova tudo sem atrito. Esse formato existe no papel, dá aparência de controle e não controla nada. Vale menos que a ausência do comitê, porque cria uma falsa sensação de segurança. Uma empresa que se sabe desprotegida ao menos age com cautela. A que se acredita protegida por um comitê de fachada baixa a guarda justamente onde deveria mantê-la.

Independência: o detalhe que faz o comitê valer

O valor do comitê depende quase inteiramente de uma coisa: a liberdade de discordar sem custo pessoal. Um integrante que teme desagradar quem o indicou não vai fazer a pergunta incômoda. Por isso, mesmo em empresas menores, vale incluir ao menos um membro sem vínculo direto com a operação, alguém cuja função seja justamente puxar o fio que ninguém quer puxar. Esse integrante não precisa ser um estranho distante do negócio. Precisa ter autonomia suficiente para discordar da diretoria sem colocar a própria posição em jogo, e clareza de que discordar, quando necessário, é exatamente o serviço que se espera dele.

Essa independência não nasce de um regulamento. Nasce da forma como o comitê é montado e da disposição da liderança em ouvir o que não quer ouvir. Um comitê que só confirma o que a gestão já pensava não está fazendo governança, está fazendo cerimônia. A Fource aponta que essa independência custa algum desconforto no curto prazo, porque introduz atrito onde antes havia consenso automático, e é justamente esse atrito que evita as decisões apressadas que só se revelam ruins muito depois.

Um comitê pequeno pode fazer perguntas grandes

O tamanho da empresa define a escala do comitê, não a sua utilidade. Uma estrutura pequena, bem escolhida e de fato independente encontra problemas cedo, quando ainda são baratos de corrigir. A Fource Consultoria pontua  que o melhor momento para instalar essa camada de revisão é antes de precisar dela, porque criar um comitê no meio de uma crise significa aprender a fazer perguntas difíceis no pior instante possível. A pergunta certa, feita a tempo, é o que separa um susto administrável de um dano que já não tem volta.

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