Porto Alegre concluiu a instalação de novas comportas de proteção contra cheias em três galerias que conectam o arroio Areia ao rio Gravataí. As estruturas ficam no bairro Anchieta, na Zona Norte da Capital, em uma área que também abrange o entorno do Aeroporto Internacional Salgado Filho e integra os pôlderes 7 e 8.
De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), a intervenção faz parte de um conjunto de obras voltado à proteção da região contra a elevação do nível dos rios. O investimento nos pôlderes 7 e 8 foi de R$ 47 milhões, incluindo serviços de engenharia, eletrocentros e geradores.
Como funcionam as comportas contra cheias
Em períodos sem cheia, as galerias permanecem abertas para permitir que a água da chuva escoe normalmente. Quando o nível do rio Gravataí sobe, as comportas podem ser fechadas para evitar que a água retorne pelas estruturas e avance sobre os bairros localizados na área protegida.
O sistema também prevê o uso de bombas flutuantes. Depois do fechamento das galerias, esses equipamentos podem ser acionados para retirar a água acumulada dentro do perímetro protegido e devolvê-la ao rio. Dessa forma, a operação combina a contenção da água do rio com o escoamento da drenagem interna.
Na prática, as comportas funcionam como uma barreira móvel entre a rede de drenagem da cidade e o curso d’água. A operação depende das condições hidrológicas e da necessidade de impedir que o aumento do nível do Gravataí comprometa a área atendida pelos pôlderes.
Obras abrangem os pôlderes 7 e 8
Os pôlderes são áreas protegidas por estruturas de contenção e sistemas de drenagem, com o objetivo de reduzir o risco de alagamentos provocados pela elevação dos rios. No caso dos pôlderes 7 e 8, a intervenção está relacionada à região do arroio Areia, do rio Gravataí e do bairro Anchieta.
Segundo o Dmae, outras quatro galerias ligadas ao arroio Passo das Pedras também receberam comportas em agosto. Com isso, foram completadas as estruturas de proteção previstas para as galerias da região. A medida reforça um sistema que depende tanto das barreiras físicas quanto dos equipamentos responsáveis por retirar a água de dentro das áreas protegidas.
A localização próxima ao Aeroporto Internacional Salgado Filho acrescenta importância estratégica à obra. A área integra uma rede urbana de drenagem que precisa operar em diferentes condições: durante chuvas comuns, garantindo o escoamento; e em situações de cheia, impedindo a entrada da água do rio e acionando o bombeamento necessário.
Município prepara projeto de proteção definitiva
A instalação das comportas é apresentada como uma solução de proteção para as estruturas existentes, mas a Prefeitura de Porto Alegre também informou que trabalha em um anteprojeto de proteção definitiva para a região. A proposta está estimada em R$ 300 milhões e inclui, entre outras medidas, a construção de duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais.
Conforme as informações divulgadas pelo município, a execução dessa obra definitiva foi autorizada pelo governo federal em 11 de setembro de 2026. O anteprojeto representa uma etapa posterior e mais ampla, voltada à estrutura permanente de proteção e drenagem da área dos pôlderes 7 e 8.
O tema faz parte de uma agenda mais abrangente de prevenção de cheias em Porto Alegre e na Região Metropolitana. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) acompanha projetos do Sistema Metropolitano de Proteção Contra Cheias, que envolvem estruturas como diques, comportas, estações de bombeamento e redes de drenagem.
O que muda para a Zona Norte
Com as novas comportas, as galerias do arroio Areia passam a contar com um mecanismo capaz de interromper a conexão direta com o rio Gravataí quando houver risco de retorno da água. A proteção, no entanto, depende da operação integrada do sistema, incluindo o funcionamento das bombas e dos equipamentos instalados nos pôlderes.
A conclusão da obra não encerra o planejamento para a região. O município ainda prevê uma solução definitiva, com novas estações de bombeamento e outras intervenções de engenharia. Até lá, as comportas instaladas nas galerias representam uma etapa de reforço da infraestrutura de drenagem e de preparação de Porto Alegre para eventos de cheia.

