No sul da Calábria, a antiga vila guarda as marcas da Strage degli Alberti, ocorrida em 1686, e de um processo de despovoamento que culminou no abandono do núcleo histórico no século XX. Desde os anos 1980, projetos de recuperação devolveram atividades culturais e artesanais a parte de suas construções
No território de Melito di Porto Salvo, perto de Reggio Calabria, uma grande formação rochosa se ergue sobre Pentedattilo lembrando os cinco dedos de uma mão. É dessa semelhança que vem o nome da vila, associado ao grego penta dáktylos, “cinco dedos”. A presença humana na região remonta à Antiguidade, embora a formação do núcleo fortificado que deu origem ao povoado atual tenha ocorrido ao longo dos séculos seguintes.
As casas de pedra, as igrejas e os restos do antigo castelo acompanham a própria encosta e fazem do relevo parte inseparável da paisagem construída. Antonella Giancoli inclui Pentedattilo nos roteiros da Benarrivati pela Calábria justamente por essa sobreposição entre geografia, história e um processo de recuperação que começou depois de décadas de despovoamento.
Um massacre que marcou a memória da vila
Em 1686, Pentedattilo foi cenário da chamada Strage degli Alberti, episódio ligado à disputa entre as famílias Alberti e Abenavoli. Bernardino Abenavoli pretendia se casar com Antonia Alberti, mas Lorenzo Alberti, irmão da jovem e então marquês de Pentedattilo, havia prometido sua mão a Don Petrillo Cortez.
Dois dias depois da Páscoa daquele ano, Bernardino entrou no castelo acompanhado de dezenas de homens. Lorenzo Alberti, sua mãe, irmãos e servidores foram mortos durante o ataque, enquanto Antonia foi levada para Montebello e posteriormente se casou com Abenavoli. O episódio alimentou lendas e narrativas populares que permanecem associadas à imagem de Pentedattilo até hoje.
A tragédia, porém, não foi responsável pelo abandono da vila. Pentedattilo continuou habitada durante séculos e passou por um processo gradual de declínio ligado à transferência da população para áreas próximas à costa e à emigração.
Por que a Benarrivati trata Pentedattilo como uma visita diferente na Calábria
Para Antonella, o interesse da vila está justamente em observar como períodos muito diferentes permanecem visíveis em um espaço relativamente pequeno.
“Pentedattilo reúne uma história muito mais complexa do que a imagem de uma vila abandonada. Existe a memória da família Alberti, o despovoamento ocorrido séculos depois e, mais recentemente, a recuperação de parte das construções. Quando essas etapas são explicadas durante a visita, as ruínas deixam de funcionar apenas como cenário e passam a contar a própria transformação daquele território”, explica Antonella Giancoli.
Nos roteiros pela região, Pentedattilo acrescenta uma leitura diferente daquela encontrada em cidades costeiras ou em sítios arqueológicos mais conhecidos, aproximando a viagem também da história dos pequenos centros da área grecanica calabresa.
Do abandono à recuperação do antigo borgo
O esvaziamento de Pentedattilo se intensificou ao longo do século XX. Em 1968, diante de riscos naturais e das condições do núcleo antigo, o povoado foi declarado inabitável e, três anos depois, acabou abandonado por seus últimos moradores.
A partir dos anos 1980, jovens, associações e voluntários começaram um processo de recuperação da vila. Projetos desenvolvidos nas décadas seguintes restauraram algumas construções e permitiram o surgimento de pequenas atividades culturais e artesanais dentro do antigo borgo. A associação local responsável por parte dessas iniciativas registra mais de três décadas de trabalhos de recuperação em parceria com instituições públicas e organizações de voluntariado.
Hoje, Pentedattilo continua frequentemente descrita como um “borgo fantasma”, mas já não corresponde à imagem de um lugar completamente desabitado. Artistas, artesãos e novos frequentadores passaram a ocupar alguns dos espaços recuperados, enquanto eventos culturais contribuíram para devolver movimento à vila.
Nos roteiros da Benarrivati, Pentedattilo permite apresentar uma Calábria marcada não apenas pela costa e pelos grandes sítios históricos, mas também pelos processos de abandono e recuperação que transformaram muitos de seus pequenos povoados ao longo do século XX.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

